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CONSULTÓRIO TÊXTIL

Cardação da Lã (sub operações)

 

Equipamento de alimentação

Existe uma necessidade absoluta de que a alimentação da carda seja muito regular. É necessário que em qualquer momento a quantidade de matéria que esteja em trabalho dentro da carda seja sempre a mesma, para que esse equilíbrio, que o chefe da secção estabeleceu entre a qualidade óptima e a produção máxima, se mantenha constante durante todo o tempo que seja necessário para trabalhar uma lã com umas condições e características determinadas.

Uma alimentação regular é assim necessária para que a mecha produzida seja o mais regular possível. O equipamento de alimentação deve ser muito perfeito, o que só se pode conseguir se for completamente automático.

 

Normalmente os carregadores automáticos estabelecem o sistema de regulação por peso de matéria fornecido por unidade de tempo, ou, melhor dito, por unidade de superfície da esteira de alimentação que se deslocou num certo tempo. A sua carga é sempre intermitente. Hoje em dia o accionamento dos carregadores-pesadores automáticos é totalmente independente do resto da máquina.

Desta forma consegue-se parar e pôr em marcha todos os seus mecanismos de acordo com a intermitência da alimentação.

<-- Vista de um carregador-pesador automático

 

 

Abertura progressiva dos flocos

A abertura dos flocos de lã, que a esteira de alimentação introduz lentamente na carda, oferece sempre sérias dificuldades. Como se sabe a sua intensidade deve ir até à separação individual de todas as fibras. Para que não rebentem muitas delas deve-se proceder com extremo cuidado, de forma suave e progressivamente mas intensa à medida que os flocos se vão abrindo e diminuindo de volume. Esta abertura tem lugar nos pontos de cardação e a correcta afinação e disposição dos mesmos é de extrema importância.

 

Pontos de cardação

Cada uma destas zonas de trabalho deve ter os seus orgãos equipados com a guarnição (puado) mais adequada à matéria a trabalhar. Para isso dever-se-à ter em conta as seguintes variantes :

1 . Tipo de guarnição, forma dos dentes ou puas de acordo com o orgão a recobrir.

2.        . Densidade das puas por cm².

3.        . Número do fio de aço (arame)

4.        . Ângulos de inclinação.

5.        . Forma e dureza do suporte.

6.        . Altura ou profundidade livre de trabalho.

7.        . Dureza e flexibilidade do fio de aço, etc.

Uma vez montadas as guarnições escolhidas e com o fim de ajustar melhor o trabalho da carda ao trabalho de lãs que sendo de tipos semelhantes oferecem características distintas, o chefe da secção tem a possibilidade de efectuar afinações específicas e diferentes, entre as quais se encontram especialmente as seguintes :

 

  - A determinação do "contacto teórico" ou folga entre os diferentes orgãos.

·         - A variação de velocidades relativas entre orgãos de cardação, de transporte ou outros de função especial.

·         - Variar a quantidade de alimentação, etc.

<-- Vista de um conjunto de cardas

 

 

 

Depurador de véu Peralta

Composto principalmente por dois cilindros de matéria dura (aço), perfeitamente polidos, temperados e rectificados, permite a eliminação por esmagamento das impurezas e pontos duros (desperdícios diversos, restos de fios, etc.), tudo isto preservando as propriedades das fibras.

Para um trabalho eficaz, o véu deve ser o mais fino possível. A pressão hidráulica regulável é uniformemente repartida sobre toda a largura dos cilindros. Duas lâminas raspadoras mantêm a limpeza dos cilindros.Na saída o véu é destacado é condensado por um dispositivo destacador, com guarnição especial de carda e movimento de pente.

 

<-- Vista de um sistema depurador Peralta

 

 

 

Transportador mecânico do véu

Este mecanismo realiza o acoplamento de cardas dispostas em tandem ou lado a lado, com alimentação por uma fita de largura regulável, com fibras orientadas no sentido do avanço, o mesmo que elas têm à saída da carda de alimentação (as matérias são apresentadas ao comprido às entradas da carda alimentada.

Apresenta :

- Um tabuleiro oscilante que guia o véu até dois pares de rolos que o deitam sobre o tabuleiro inferior de saída transversal oblíqua.

 

- Dois tabuleiros elevadores que transportam a fita, começando o seu transporte aéreo.

 

- Dois tabuleiros de movimento oscilante pendular, que o depositam em camadas justapostas e a grande velocidade sobre o tabuleiro de alimentação da segunda carda.

 

O transportador mecânico do véu assegura uma boa regularidade em largura e um poder de mistura importante.

<-- Vista de um transportador mecânico do véu

 

 

 

 

 

 

 

Isolamento e paralelização das fibras

As fibras bem trabalhadas e separadas umas das outras, devem forçosamente adquirir uma direcção linear no sentido do eixo horizontal da carda. Esta posição é absolutamente necessária e vem facilitada pelo correcto trabalho de cada ponto de cardação e muito especialmente pela adequada alimentação da matéria. Por vezes alguma fibra pode ser separada das outras ao ser apanhada pela metade, por exemplo, e ficar assim retida pela guarnição do grande tambor.

O trabalho ideal consegue-se quando todas as fibras estão completamente estendidas e metidas dentro do mesmo caminho de pontas da guarnição do orgão, tal como se observa em A da figura acima. Esta posição óptima facilita a sua saída ou separação sem rotura.

No caso B algumas fibras ficam cruzadas ou a "cavalgar" entre diferentes fileiras de puas, e é certa a sua rotura e a sua reposição será difícil. Poder-se-ia considerar perfeito o trabalho da carda sempre que num dado momento fosse possível comprovar que sobre a periferia do grande tambor as fibras estão situadas como em A da figura, com idêntico número de elas em qualquer secção de cada caminho e com escalonamento longitudinal o mais regular possível. Isso indicaria que o trabalho bem cuidado nos havia dado uma cardação com as fibras do máximo comprimento.

 

 

Obtenção do véu de matéria cardada

No fim do sortido de cardação, as fibras perfeitamente trabalhadas encontram-se, depois do último ponto de cardação, entre e no fundo dos caminhos que formam as puas da guarnição. Como se dispõem sucessivamente dentro de cada caminho, de uma maneira escalonada, formam como que uma espécie de finíssima fita ou mecha e sem que teoricamente nenhum dos extremos da fibra sobressaia por cima da guarnição do grande tambor.

 

Assim dispostas as fibras seria muito difícil separá-las da guarnição do tambor B (ver figura acima). Um orgão importante da carda, o volante V, tem por missão fazer subir os pontos anteriores até ao exterior da guarnição que as retém para que possam ser facilmente separadas e condensadas sobre o pinador ou penteador L.

 

O volante está recoberto por uma guarnição de compridas puas inclinadas em sentido contrário ao da sua rotação e deve ter uma elevada flexibilidade. Cada linha de agulhas do volante penetra ligeiramente dentro de outra correspondente do grande tambor y a sua velocidade periférica é ligeiramente superior ao daquele. O excesso de velocidade periférica do volante faz sair para o exterior as fibras da guarnição do grande tambor.

 

Na figura acima observa-se que no ponto de contacto teórico grande tambor-pinador, tem lugar uma total troca no sentido linear de cada fibra. A cabeça do extremo anterior das fibras situadas sobre o grande tambor passam a ser o posterior quando são apanhadas pelo pinador. Graças a esta troca de sentido, produz-se uma acção complementar de trabalho sobre cada fibra.

 

Em virtude do seu sentido de rotação, o pinador apresenta o seu ténue véu de fibras à acção de um pente destacador que o separa da guarnição pelo seu rápido movimento oscilatório. Este pente é formado por uma lâmina de aço finamente dentada no seu lado inferior e actua bastante próximo da guarnição do pinador.

 

 

Formação, compactação e enrolamento da mecha

<-- Vista de um divisor do véu

O véu desprendido do pinador passa por entre os cilindros divisores 1 e 2 (ver figura acima) os quais são compostos por anéis alternados com largura igual à da das correínhas (lainières).

 

Cada correínha toma então uma porção do véu correspondente à sua largura e entrega-a a um mecanismo de friccionamento, que é formado por pares de manchons (botas) de couro ou em material sintético, que têm a largura da máquina e estão submetidos a um rápido movimento altenado transversal, além do avanço, para que se enrolem sobre elas mesmas as fitas que passam sob pressão entre os dois manchons sobrepostos.

As mechas já compactas são então enroladas em bobinas comumente chamadas de buínhos.

 

 

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Cardação da lã
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  Isolamento das fibras
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